Introdução
Para uma produção saudável, em qualquer setor da indústria, é necessário entender o ambiente onde sua produção está inserida. Somos parte de uma grande engrenagem. É fundamental uma visão sistêmica para que possamos compreender onde estamos inseridos e como estamos inseridos. Sem entendermos o que temos e os atores envolvidos, somos meros expectadores e torcedores, realizando manejos que nem sempre são o melhor para o nosso sistema produtivo.
O desequilíbrio ambiental na produção de camarão é causado por diversos fatores que afetam diretamente a qualidade da água e o bem-estar dos animais no sistema de cultivo. Fundamental que possamos identificar as causas para trabalharmos efetivamente e, sobretudo, eficientemente, em cima delas, não necessitando de remediadores que, em sua grande maioria, ajuda a desequilibrar ainda mais o ambiente, tornando o ambiente aquático, ainda mais inapropriado para o cultivo de camarões.
Pontos a serem observados
O acúmulo de matéria orgânica, como restos de ração, fezes, e detritos no fundo dos viveiros, são o principal ponto de atenção. Desse acúmulo de matéria orgânica são liberados compostos tóxicos, como amônia (NH₃) e gás sulfídrico (H₂S), que são prejudiciais à saúde dos camarões, levando a um aumento do estresse e mortalidade. Eles são extremamente tóxicos para os camarões, afetando seu metabolismo, imunidade e crescimento. A amônia também aumenta a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), o que reduz a disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, fundamental para a sobrevivência dos camarões.
A superalimentação ou o uso de rações em dosagens inadequadas pode aumentar a quantidade de resíduos no sistema e exacerbar o acúmulo de matéria orgânica. Quando a ração não é adequadamente formulada para as necessidades nutricionais dos camarões, há maior excreção de compostos nitrogenados, aumentando a carga orgânica no ambiente.
A introdução de antibióticos ou produtos químicos para controlar patógenos ou promover o crescimento desequilibra a microbiota natural do ambiente aquático, eliminando microrganismos benéficos e permitindo o crescimento descontrolado de microrganismos patogênicos. Esse desequilíbrio microbiano quase sempre aumenta a incidência de doenças, como a síndrome da mancha branca, ou a necrose hepatopancreática aguda. Além disso, o uso excessivo desses produtos causa resistência bacteriana, ajudando a danificar o ecossistema aquático, eliminando organismos benéficos e levando a um desequilíbrio ainda maior.
Em muitos sistemas de cultivo, a troca ou renovação da água é limitada para economizar recursos. Isso resulta na concentração progressiva de resíduos e toxinas, levando ao aumento de amônia, sulfetos e outros compostos nocivos. O manejo inadequado da qualidade da água é uma das principais causas de desequilíbrio ambiental nos viveiros. Importante deixar claro que a qualidade da água durante o ciclo é consequência direta do acúmulo de matéria orgânica e do manejo, muitas vezes, inadequado, para controlar parâmetros produtivos.
A monocultura de camarões sem integração com outros organismos aquáticos pode diminuir a resiliência do ecossistema. A falta de organismos que consumam matéria orgânica e reduzam a carga de resíduos, como peixes bentônicos ou moluscos filtradores, pode aumentar os desequilíbrios químicos e biológicos no viveiro.
Alternativas viáveis
Na agricultura a introdução da IPLF (Integração pecuária lavoura floresta), o plantio direto e, mais recentemente, o uso de microrganismos vivos têm ajudado a trazer a diversidade microbiológica ao solo e, consequentemente, àquele ecossistema, melhorando níveis de produtividade por equilibrar o ambiente produtivo. O uso de tecnologias sustentáveis pode auxiliar na manutenção do equilíbrio ambiental em viveiros de camarão. O uso de probióticos pode aumentar a atividade enzimática, melhorar a digestão dos camarões e ajudar a decompor a matéria orgânica de maneira mais eficiente, reduzindo a produção de amônia tóxica e outros compostos prejudiciais.
Todos os fatores acima, quando não controlados adequadamente, criam um ambiente propenso a desequilíbrios, que prejudicam tanto o crescimento dos camarões quanto a sustentabilidade da produção. Sabemos os problemas envolvidos na produção de camarão. Mas será que realmente sabemos a causa principal de todo esse desequilíbrio que presenciamos durante todos os ciclos? E será que realmente sabemos como eliminar esses problemas na raiz?
Desenvolvedor da metodologia do equilíbrio do ambiente produtivo a partir da Tecnologia do Consórcio Probiótico.
