Introdução
O uso de MOS (Mananoligossacarídeos) na carcinicultura — criação de camarões — começou nos anos 2000, principalmente na Ásia (Tailândia, Vietnã, China) e, em seguida, foi adotado em países da América Latina, como Equador e Brasil.
Inicialmente, o MOS era utilizado na nutrição de aves e suínos, mas os bons resultados no equilíbrio intestinal e na imunidade motivaram pesquisadores a testá-lo em espécies aquáticas.
Na carcinicultura, o MOS é usado como aditivo funcional nas rações ou como agente probiótico em sistemas de cultivo, com o objetivo de:
- melhorar a imunidade e a resistência dos camarões a patógenos (como Vibrio spp.),
- promover o equilíbrio da microbiota intestinal e da água,
- aumentar a conversão alimentar e o crescimento,
- e reduzir a mortalidade em ambientes de alta densidade.
Hoje, o MOS é reconhecido como um dos principais prebióticos naturais aplicados na aquicultura intensiva, sendo um recurso biotecnológico estratégico para sistemas livres de antibióticos e mais sustentáveis.
Origem
O MOS (Mananoligossacarídeo) é um composto funcional extraído da parede celular de leveduras, especialmente da espécie Saccharomyces cerevisiae, amplamente utilizada na indústria de fermentação. Esse polissacarídeo é composto principalmente por manose e glicose, formando estruturas complexas que desempenham funções biológicas importantes quando utilizados como aditivo alimentar na aquicultura. Eles atuam como prebióticos, ou seja, substâncias não digeríveis que estimulam o crescimento de microrganismos benéficos no intestino ou em sistemas biológicos.
A Saccharomyces cerevisiae é a principal fonte de MOS devido à sua abundância e facilidade de cultivo em processos industriais. Assim, o MOS é obtido de forma sustentável a partir de resíduos da indústria de fermentação.
Benefícios na produção de camarão
Na carcinicultura, o mananoligossacarídeo, conhecido como MOS, tem sido amplamente estudado e utilizado em virtude de seus diversos benefícios para a saúde e o desempenho dos camarões cultivados.
Em primeiro lugar, o MOS contribui para o fortalecimento do sistema imunológico. Ele atua como um imunoestimulante natural, ativando as defesas do organismo dos camarões, em especial as células conhecidas como hemócitos, que são responsáveis pela resposta contra agentes patogênicos. Dessa forma, os animais tornam-se mais resistentes a infecções causadas por bactérias e vírus.
Em segundo lugar, o MOS promove a inibição de patógenos intestinais. Essa substância tem a capacidade de se ligar a receptores específicos presentes nas paredes celulares de bactérias nocivas, como as do gênero Vibrio, impedindo que esses microrganismos consigam se fixar e colonizar o trato digestivo. Ao serem eliminados junto com os resíduos, reduz-se a ocorrência de infecções, o que resulta em um ambiente intestinal mais equilibrado e saudável.
Além disso, o MOS proporciona melhoria na digestão e na absorção de nutrientes. Ele favorece o desenvolvimento de uma microbiota intestinal benéfica, estimulando a presença de bactérias probióticas que auxiliam na degradação e aproveitamento dos nutrientes da dieta. Isso se reflete em melhor crescimento, desempenho produtivo e eficiência alimentar dos camarões.
Por fim, a utilização do MOS também está associada à redução do estresse e da mortalidade. Sua suplementação ajuda os camarões a suportarem melhor situações adversas, como variações de temperatura, salinidade e práticas de manejo intensivo. Com isso, observa-se menor taxa de mortalidade, maior uniformidade nos lotes e melhor desempenho zootécnico geral.
Durante processos fermentativos (por exemplo, fermentação controlada da cana, caldo, melaço ou vinhaça), microrganismos específicos (como Bacillus, Lactobacillus ou Saccharomyces) podem hidrolisar esses mananos em oligossacarídeos menores, gerando MOS de forma natural. Em projetos biotecnológicos ou sistemas de fermentação natural (como o TCP – Tecnologia do Consórcio Probiótico), a cana-de-açúcar e seus derivados (melaço, caldo, vinhaça) podem ser excelentes substratos naturais para a formação de MOS e outros metabólitos benéficos, com efeito positivo sobre o equilíbrio microbiano, a imunidade de organismos aquáticos e a regeneração do solo.
Conclusão
O MOS, extraído da parede celular de leveduras, é uma solução natural e eficaz para melhorar a saúde intestinal, o desempenho produtivo e a resistência a doenças dos camarões. Quando utilizado em conjunto com tecnologias microbianas TCP, seus benefícios são potencializados, promovendo um sistema de produção mais eficiente, sustentável e seguro, com impactos positivos tanto na produtividade quanto na qualidade ambiental dos viveiros.
Desenvolvedor da metodologia do equilíbrio do ambiente produtivo a partir da Tecnologia do Consórcio Probiótico.
