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Informativo técnico · Agricultura

Fungos micorrizais e a TCP

Autor
Altamiro Alvernaz
Publicado
2025
Local
Pouso Alto, MG

Micorriza é uma palavra proveniente do grego “myces” que significa fungo, e “rhiza” que significa raiz.

Os fungos micorrizos são o elo esquecido da saúde do solo, são microrganismos simbióticos que estabelecem uma relação mutualística com as raízes das plantas. Essas associações entre fungos e raízes surgiram há mais de 350 milhões de anos e desde então são indispensáveis para a sobrevivência da maioria das plantas.

Os fungos se beneficiam dos nutrientes sintetizados pelas plantas e em troca fornece minerais e os cedem às plantas. Essa simbiose permite que as plantas tenham um sistema radicular mais eficiente, aumentando a absorção de nutrientes e água. Em troca, os fungos recebem compostos orgânicos ricos em carbono, produzidos pelas plantas através da fotossíntese.

Os fungos micorrizos desempenham um papel essencial na agricultura ao promover uma série de benefícios que impactam diretamente a produtividade das plantas e a sustentabilidade do solo. São uma forma de interconexão das plantas com o solo. Um dos principais efeitos dessa simbiose é a maior absorção de nutrientes, pois esses fungos aumentam significativamente a disponibilidade de elementos essenciais como fósforo (P), nitrogênio (N) e diversos micronutrientes necessários ao crescimento vegetal.

Além disso, eles melhoram a tolerância das plantas ao estresse hídrico, já que suas hifas – estruturas filamentosas que se estendem pelo solo – ampliam a área de absorção de água, permitindo que as plantas resistam melhor a períodos de seca.

Outro benefício fundamental é a melhoria na estrutura do solo, pois os fungos micorrizos produzem uma substância chamada glomalina, que atua na agregação das partículas do solo, tornando-o mais estável, aerado e com maior capacidade de retenção de água e nutrientes.

A presença desses fungos também proporciona proteção contra patógenos, uma vez que algumas espécies competem diretamente com fungos e bactérias prejudiciais às plantas, reduzindo a incidência de doenças radiculares.

Por fim, sua ação simbiótica contribui para a redução do uso de fertilizantes químicos, uma vez que aumentam a eficiência da absorção de nutrientes, diminuindo a necessidade de insumos sintéticos. Isso não apenas reduz os custos de produção, mas também minimiza os impactos ambientais causados pelo uso excessivo de fertilizantes.

Dessa forma, os fungos micorrizos são aliados fundamentais para uma agricultura mais eficiente, sustentável e resiliente.

Os fungos micorrizos na agricultura convencional

Na agricultura convencional, o uso intensivo de fertilizantes químicos e pesticidas afetam negativamente as comunidades de microrganismos benéficos, incluindo os fungos micorrizos. Um dos principais fatores que dificultam sua presença é a fertilização excessiva com fósforo, pois o excesso desse nutriente sintético faz com que as plantas não sintam necessidade de estabelecer associações com os fungos micorrizos. Além disso, o uso frequente de fungicidas e outros agroquímicos pode eliminar esses organismos benéficos ou inibir seu crescimento, reduzindo sua capacidade de colonização das raízes.

Outro impacto negativo vem do revolvimento excessivo do solo, já que o preparo intensivo destrói as hifas dos fungos, prejudicando a formação de sua rede subterrânea essencial para a simbiose com as plantas. Por fim, a ausência de biodiversidade, característica da monocultura, reduz drasticamente as populações desses fungos, uma vez que há uma menor variedade de exsudatos radiculares, substâncias liberadas pelas raízes das plantas que estimulam seu crescimento. Dessa forma, as práticas convencionais da agricultura dificultam a presença e a ação dos fungos micorrizos, comprometendo o equilíbrio biológico e a saúde do solo.

Os maestros da vida no solo

Os fungos micorrizos estabelecem relações simbióticas com as raízes das plantas, contribuindo para a absorção de nutrientes e melhorando a saúde do solo. Existem vários tipos de micorrizas, entre os quais se destacam as ectomicorrizas, as orquidóides, as ericoides e as micorrizas arbusculares.

Dentre esses tipos, as micorrizas arbusculares (AMF – Arbuscular Mycorrhizal Fungi) são as mais comuns e influentes nos ecossistemas agrícolas e naturais. Esses fungos pertencem ao filo Glomeromycota e formam associações com aproximadamente 80% das plantas terrestres, sendo fundamentais para o crescimento vegetal e a estruturação da microbiota do solo. A importância dos fungos micorrizos arbusculares vai muito além da nutrição da planta; eles atuam como verdadeiros maestros, orquestrando a dinâmica microbiana na hifosfera – a região do solo influenciada pelas hifas fúngicas.

As micorrizas arbusculares colonizam intracelularmente a casca da raiz por meio de estruturas especializadas denominadas de arbúsculo, que atuam como organismos de intercâmbio de nutrientes entre a célula vegetal e o hóspede.

O fungo fornece fósforo, nitrogênio e outros micronutrientes essenciais à planta, enquanto recebe carboidratos gerados pela fotossíntese da planta. Essa relação simbiótica melhora significativamente a absorção de nutrientes e é um dos principais mecanismos de adaptação das plantas ao ambiente, permitindo que cresçam em solos pobres e menos férteis. Ao mesmo tempo que se adapta ao ambiente, ela ajuda a desenvolver o micélio, que por sua vez, pode manter o fluxo livre de nutrientes para as plantas.

As hifas: a rede subterrânea da vida

O grande diferencial dos fungos micorrizos arbusculares está na sua capacidade de formar uma vasta rede de hifas, filamentos microscópicos que se espalham pelo solo e conectam diferentes plantas entre si. As hifas desempenham um papel essencial na interação entre planta, solo e microrganismos, pois ampliam a superfície de absorção de nutrientes e água, facilitam a comunicação bioquímica entre plantas e favorecem o estabelecimento de comunidades microbianas benéficas.

Além disso, as hifas excretam substâncias como a glomalina, uma glicoproteína que melhora a agregação do solo, aumentando sua estabilidade estrutural e favorecendo a retenção de água. Essa rede fúngica não apenas fortalece as plantas individualmente, mas também cria um ecossistema subterrâneo dinâmico onde diferentes organismos trocam informações e recursos, promovendo um equilíbrio ecológico essencial para a saúde do solo.

A condição essencial para a sinfonia micorriza

Para que toda essa sinfonia de interações comandada pelos fungos micorrizos arbusculares aconteça de forma plena, o solo precisa estar em equilíbrio. Essa é a condição essencial. Nessas condições a rede de micélios mantem um fluxo livre de nutrientes para as plantas. Isso significa que ele deve conter matéria orgânica suficiente, biodiversidade microbiana ativa e, preferencialmente, estar livre do uso excessivo de fertilizantes minerais sintéticos. O uso intensivo desses fertilizantes na agricultura convencional quebra essa sinergia, pois reduz a necessidade de associação micorriza, impacta negativamente a microbiota benéfica e altera a estrutura química e física do solo.

Dessa forma, práticas agrícolas que respeitam a biologia do solo, como o uso de bioinsumos, rotação de culturas e consórcios microbianos, são fundamentais para preservar e estimular a atividade dos fungos micorrizos arbusculares. Esses fungos não apenas maximizam a eficiência da nutrição vegetal, mas também desempenham um papel crucial na regeneração e sustentabilidade dos ecossistemas agrícolas.

Correlação entre os fungos micorrizos e a TCP

A TCP (Tecnologia do Consórcio Probiótico) propõe uma abordagem inovadora para restaurar a biologia do solo, criando um ambiente favorável para microrganismos benéficos, incluindo os fungos micorrizos. Algumas relações entre a TCP e os fungos micorrizos incluem:

  • Ambiente propício ao desenvolvimento de micorrizas → a TCP promove um equilíbrio microbiológico no solo, reduzindo o impacto de agroquímicos e melhorando a estrutura do solo.
  • Maior biodiversidade microbiana → a TCP estimula interações entre bactérias, fungos e plantas, favorecendo a formação de redes simbióticas.
  • Redução da dependência de fertilizantes químicos → assim como os fungos micorrizos, a TCP melhora a ciclagem de nutrientes, permitindo um manejo mais sustentável.
  • Aumento da resistência das plantas ao estresse → a TCP e os fungos micorrizos auxiliam na tolerância a seca, salinidade e patógenos.

Conclusão

Os fungos micorrizos desempenham um papel fundamental na saúde do solo e no sucesso das plantas. No entanto, sua presença é severamente comprometida pela agricultura convencional, que promove um ambiente desfavorável para sua proliferação. A TCP surge como possibilidade de recuperar e potencializar as interações naturais do solo, criando um sistema agrícola mais sustentável e produtivo. Combinar a TCP com a restauração da microbiota do solo, incluindo os fungos micorrizos, pode transformar a agricultura, reduzindo insumos químicos e aumentando a resiliência dos ecossistemas agrícolas.

Desenvolvedor da metodologia do equilíbrio do ambiente produtivo a partir da Tecnologia do Consórcio Probiótico.