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005

Informativo técnico · Aquicultura

Atividade enzimática — aumentando produtividade

Autor
Altamiro Alvernaz
Publicado
2024
Local
Pouso Alto, MG

Introdução

Na produção de camarão, a atividade enzimática é crucial para manter o ambiente aquático saudável e otimizar o crescimento e a nutrição dos animais. Enzimas, como amilase, lipase e quimotripsina, são fundamentais no processo digestivo, facilitando a quebra de carboidratos, lipídios e proteínas.

Uma menor atividade enzimática significa que tanto os camarões quanto os microrganismos presentes no ambiente aquático têm menor capacidade de decompor eficientemente os nutrientes e resíduos. Isso pode resultar em uma digestão incompleta, levando ao desperdício de nutrientes e à necessidade de maior consumo de ração para atingir os níveis de crescimento desejados. Além disso, uma digestão ineficiente contribui para o acúmulo de matéria orgânica não decomposta no viveiro, o que cria um ambiente favorável para a produção de compostos tóxicos, como a amônia e o sulfeto de hidrogênio. Esses compostos são prejudiciais à saúde dos camarões, causam estresse e tornam o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças.

A baixa atividade enzimática também afeta diretamente a qualidade da água, já que a decomposição mais lenta dos resíduos orgânicos eleva os níveis de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). Isso significa que o oxigênio disponível na água é consumido mais rapidamente pelos microrganismos que tentam decompor a matéria orgânica, resultando em menos oxigênio disponível para os camarões. Esse ambiente de baixa concentração de oxigênio compromete o bem-estar dos animais, reduz sua capacidade de crescimento e os torna mais vulneráveis a patógenos.

A importância da atividade enzimática

É consenso que uma maior atividade enzimática no ambiente aquático de produção traz diversos benefícios relacionados à digestão eficiente, à melhoria da qualidade da água e à redução de resíduos tóxicos, como amônia e matéria orgânica não decomposta.

Uma maior atividade enzimática no ambiente aquático de produção de camarões promove benefícios significativos devido à eficiência digestiva aprimorada e à otimização dos processos bioquímicos no ecossistema. Enzimas como amilase, lipase e quimotripsina auxiliam na decomposição mais eficaz de carboidratos, lipídios e proteínas, permitindo uma digestão mais completa e, consequentemente, melhor aproveitamento dos nutrientes pelos camarões. Além disso, a maior atividade enzimática acelera a degradação de matéria orgânica residual, como restos de ração e detritos, evitando o acúmulo excessivo e a produção de compostos tóxicos, como amônia. Isso resulta na melhoria da qualidade da água, uma vez que a conversão de matéria orgânica em nutrientes assimiláveis ocorre de maneira mais eficiente, prevenindo o aumento de poluentes. A redução da amônia e outros resíduos tóxicos diminui o estresse nos camarões, aumentando sua resistência a doenças e promovendo um ambiente aquático mais equilibrado.

Benefícios de uma maior atividade

1. Melhoria da Digestão e Absorção de Nutrientes:

  • Amilase: Enzima que decompõe carboidratos (amido) em açúcares simples. Com maiores concentrações de amilase, os camarões conseguem aproveitar melhor os carboidratos da dieta, convertendo-os em energia de maneira mais eficiente.
  • Lipase: Enzima que decompõe gorduras em ácidos graxos e glicerol. Um aumento de lipase melhora a digestão de lipídios, permitindo que os camarões obtenham mais energia das gorduras e otimizem o crescimento.
  • Quimotripsina: Enzima proteolítica que auxilia na digestão de proteínas, transformando-as em aminoácidos. Maior disponibilidade dessa enzima resulta em uma digestão proteica mais eficiente, essencial para o crescimento muscular e o desenvolvimento saudável dos camarões.

2. Redução de Resíduos Orgânicos: O aumento na atividade enzimática melhora a digestão dos alimentos pelos camarões, resultando em menor excreção de matéria orgânica não digerida no ambiente. Com menos resíduos, há uma menor demanda por oxigênio na decomposição da matéria orgânica, o que contribui para a manutenção de níveis de oxigênio dissolvido adequados e melhora a qualidade da água.

3. Menor Acúmulo de Compostos Tóxicos: Uma digestão mais eficiente e uma redução na matéria orgânica no ambiente diminuem a produção de amônia tóxica, que pode ser prejudicial à saúde dos camarões. Isso favorece um ambiente aquático mais saudável, com menos estresse para os animais e menor risco de doenças.

Academia

Artigo científico publicado pelo Latin American Journal of Aquatic Research mostra que o uso de TCP (Tecnologia do Consórcio Probiótico), ao equilibrar o ambiente produtivo, auxilia a maximizar esses benefícios estimulando a produção e liberação dessas enzimas digestivas, mais especificamente a lipase, amilase e quimotripsina, desencadeando benefícios em todo o sistema de produção.

VariávelT1T2T3T4
Quimotripsina0,676 ± 0,057 b0,651 ± 0,032 b0,733 ± 0,051 a0,752 ± 0,064 a
Amilase9,08 ± 0,88 b9,02 ± 1,12 b10,36 ± 1,48 a11,35 ± 1,16 a
Lipase0,972 ± 0,154 c0,971 ± 0,171 c1,213 ± 0,411 b1,659 ± 0,068 a
BF (g)254,94 ± 2,81 b278,02 ± 11,49 ab288,29 ± 18,67 a284,18 ± 10,15 ab
GB (g)159,37 ± 2,95 b173,31 ± 8,19 a186,63 ± 8,09 a177,43 ± 3,47 a
CAA (g g)1,41 ± 0,03 a1,30 ± 0,06 ab1,21 ± 0,05 b1,27 ± 0,03 b
PF (g)8,15 ± 0,328,10 ± 0,118,67 ± 0,358,16 ± 0,57
CF (cm)10,77 ± 0,1210,70 ± 0,1710,93 ± 0,0610,63 ± 0,25
GP (g)5,10 ± 0,325,05 ± 0,115,62 ± 0,355,11 ± 0,57
S (%)84,60 ± 4,1392,70 ± 3,1290,00 ± 9,4994,50 ± 9,36
TCRP (%)267,10 ± 10,60265,46 ± 3,51284,37 ± 1,52267,43 ± 18,78
Tabela 2. Atividade enzimática digestiva (quimotripsina, amilase e lipase) em hepatopâncreas e desempenho zootécnico de L. vannamei produzidos em sistema de bioflocos. Biomassa final (BF), ganho de biomassa (GB), conversão alimentar aparente (CAA), peso médio final (PF), comprimento médio final (CF), ganho de peso (GP), sobrevivência (S) e taxa de crescimento relativo diário peso (TCRP).
TratamentoProbiótico na água — DosagemProbiótico na água — FrequênciaProbiótico na ração
ControleSem probióticoSem probiótico
TCP10,5 ppmTrês aplicações por semana3 mL kg⁻¹ ração
TCP21 ppmSete aplicações por semana3 mL kg⁻¹ ração
TCP31 ppmSete aplicações por semanaSem probiótico
Tabela 1. Descrição dos tratamentos quanto à dosagem e frequência de administração na água e inclusão na ração. TCP: Tecnologia do Consórcio Probiótico.

Como a TCP beneficia essa maior atividade enzimática:

a. Estimulação da Produção de Enzimas Digestivas: A TCP introduz microrganismos probióticos que estimulam a produção de enzimas digestivas diretamente no trato intestinal dos camarões. Esses probióticos, ao interagirem com o sistema digestivo dos camarões, aumentam a secreção de enzimas como amilase, lipase e quimotripsina, facilitando a digestão de diferentes componentes da dieta.

b. Melhoria da Microbiota Intestinal: A TCP melhora o equilíbrio microbiano no intestino dos camarões. Com uma microbiota intestinal mais saudável, os camarões apresentam uma melhor absorção de nutrientes e maior eficiência na utilização dos alimentos, resultando em um aumento natural da produção de enzimas digestivas.

c. Ação Degradadora no Ambiente Aquático: Além de atuar no intestino dos camarões, os microrganismos probióticos presentes na TCP podem atuar diretamente no ambiente aquático, auxiliando na decomposição de resíduos orgânicos e na estabilização dos compostos nitrogenados, o que contribui para a redução de matéria orgânica acumulada e menos acúmulo de amônia.

A TCP aumenta a atividade enzimática no trato digestivo dos camarões, favorecendo a digestão eficiente e a melhor absorção de nutrientes, o que resulta em menos excreção de resíduos e menor acúmulo de compostos tóxicos. Ao melhorar tanto a saúde intestinal quanto a qualidade do ambiente aquático, a TCP ajuda a criar um sistema de cultivo mais sustentável e produtivo, alinhado com os objetivos de maximizar o crescimento dos camarões e preservar a qualidade da água.

Referência: FAVETTA, Amanda; DUTRA, Fabricio Martins; FERREIRA, Caio Henrique do Nascimento; CAZAROLLI, Luisa Helena; BALLESTER, Eduardo Luis Cupertino. Use of probiotic consortium technology during the grow-out of Penaeus vannamei juveniles (Boone, 1931) in a biofloc system. Latin American Journal of Aquatic Research. Laboratório de Carcinicultura, Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Desenvolvimento Sustentável. Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Aquicultura Sustentável, Universidade Federal do Paraná, Maripá, PR, Brasil. Laboratório de Bioquímica e Genética, Universidade Federal da Fronteira Sul, Laranjeiras do Sul, PR, Brasil. Autor correspondente: Eduardo Luis Cupertino Ballester.

Desenvolvedor da metodologia do equilíbrio do ambiente produtivo a partir da Tecnologia do Consórcio Probiótico.