Introdução
Na produção de camarão, a atividade enzimática é crucial para manter o ambiente aquático saudável e otimizar o crescimento e a nutrição dos animais. Enzimas, como amilase, lipase e quimotripsina, são fundamentais no processo digestivo, facilitando a quebra de carboidratos, lipídios e proteínas.
Uma menor atividade enzimática significa que tanto os camarões quanto os microrganismos presentes no ambiente aquático têm menor capacidade de decompor eficientemente os nutrientes e resíduos. Isso pode resultar em uma digestão incompleta, levando ao desperdício de nutrientes e à necessidade de maior consumo de ração para atingir os níveis de crescimento desejados. Além disso, uma digestão ineficiente contribui para o acúmulo de matéria orgânica não decomposta no viveiro, o que cria um ambiente favorável para a produção de compostos tóxicos, como a amônia e o sulfeto de hidrogênio. Esses compostos são prejudiciais à saúde dos camarões, causam estresse e tornam o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças.
A baixa atividade enzimática também afeta diretamente a qualidade da água, já que a decomposição mais lenta dos resíduos orgânicos eleva os níveis de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). Isso significa que o oxigênio disponível na água é consumido mais rapidamente pelos microrganismos que tentam decompor a matéria orgânica, resultando em menos oxigênio disponível para os camarões. Esse ambiente de baixa concentração de oxigênio compromete o bem-estar dos animais, reduz sua capacidade de crescimento e os torna mais vulneráveis a patógenos.
A importância da atividade enzimática
É consenso que uma maior atividade enzimática no ambiente aquático de produção traz diversos benefícios relacionados à digestão eficiente, à melhoria da qualidade da água e à redução de resíduos tóxicos, como amônia e matéria orgânica não decomposta.
Uma maior atividade enzimática no ambiente aquático de produção de camarões promove benefícios significativos devido à eficiência digestiva aprimorada e à otimização dos processos bioquímicos no ecossistema. Enzimas como amilase, lipase e quimotripsina auxiliam na decomposição mais eficaz de carboidratos, lipídios e proteínas, permitindo uma digestão mais completa e, consequentemente, melhor aproveitamento dos nutrientes pelos camarões. Além disso, a maior atividade enzimática acelera a degradação de matéria orgânica residual, como restos de ração e detritos, evitando o acúmulo excessivo e a produção de compostos tóxicos, como amônia. Isso resulta na melhoria da qualidade da água, uma vez que a conversão de matéria orgânica em nutrientes assimiláveis ocorre de maneira mais eficiente, prevenindo o aumento de poluentes. A redução da amônia e outros resíduos tóxicos diminui o estresse nos camarões, aumentando sua resistência a doenças e promovendo um ambiente aquático mais equilibrado.
Benefícios de uma maior atividade
1. Melhoria da Digestão e Absorção de Nutrientes:
- Amilase: Enzima que decompõe carboidratos (amido) em açúcares simples. Com maiores concentrações de amilase, os camarões conseguem aproveitar melhor os carboidratos da dieta, convertendo-os em energia de maneira mais eficiente.
- Lipase: Enzima que decompõe gorduras em ácidos graxos e glicerol. Um aumento de lipase melhora a digestão de lipídios, permitindo que os camarões obtenham mais energia das gorduras e otimizem o crescimento.
- Quimotripsina: Enzima proteolítica que auxilia na digestão de proteínas, transformando-as em aminoácidos. Maior disponibilidade dessa enzima resulta em uma digestão proteica mais eficiente, essencial para o crescimento muscular e o desenvolvimento saudável dos camarões.
2. Redução de Resíduos Orgânicos: O aumento na atividade enzimática melhora a digestão dos alimentos pelos camarões, resultando em menor excreção de matéria orgânica não digerida no ambiente. Com menos resíduos, há uma menor demanda por oxigênio na decomposição da matéria orgânica, o que contribui para a manutenção de níveis de oxigênio dissolvido adequados e melhora a qualidade da água.
3. Menor Acúmulo de Compostos Tóxicos: Uma digestão mais eficiente e uma redução na matéria orgânica no ambiente diminuem a produção de amônia tóxica, que pode ser prejudicial à saúde dos camarões. Isso favorece um ambiente aquático mais saudável, com menos estresse para os animais e menor risco de doenças.
Academia
Artigo científico publicado pelo Latin American Journal of Aquatic Research mostra que o uso de TCP (Tecnologia do Consórcio Probiótico), ao equilibrar o ambiente produtivo, auxilia a maximizar esses benefícios estimulando a produção e liberação dessas enzimas digestivas, mais especificamente a lipase, amilase e quimotripsina, desencadeando benefícios em todo o sistema de produção.
| Variável | T1 | T2 | T3 | T4 |
|---|---|---|---|---|
| Quimotripsina | 0,676 ± 0,057 b | 0,651 ± 0,032 b | 0,733 ± 0,051 a | 0,752 ± 0,064 a |
| Amilase | 9,08 ± 0,88 b | 9,02 ± 1,12 b | 10,36 ± 1,48 a | 11,35 ± 1,16 a |
| Lipase | 0,972 ± 0,154 c | 0,971 ± 0,171 c | 1,213 ± 0,411 b | 1,659 ± 0,068 a |
| BF (g) | 254,94 ± 2,81 b | 278,02 ± 11,49 ab | 288,29 ± 18,67 a | 284,18 ± 10,15 ab |
| GB (g) | 159,37 ± 2,95 b | 173,31 ± 8,19 a | 186,63 ± 8,09 a | 177,43 ± 3,47 a |
| CAA (g g) | 1,41 ± 0,03 a | 1,30 ± 0,06 ab | 1,21 ± 0,05 b | 1,27 ± 0,03 b |
| PF (g) | 8,15 ± 0,32 | 8,10 ± 0,11 | 8,67 ± 0,35 | 8,16 ± 0,57 |
| CF (cm) | 10,77 ± 0,12 | 10,70 ± 0,17 | 10,93 ± 0,06 | 10,63 ± 0,25 |
| GP (g) | 5,10 ± 0,32 | 5,05 ± 0,11 | 5,62 ± 0,35 | 5,11 ± 0,57 |
| S (%) | 84,60 ± 4,13 | 92,70 ± 3,12 | 90,00 ± 9,49 | 94,50 ± 9,36 |
| TCRP (%) | 267,10 ± 10,60 | 265,46 ± 3,51 | 284,37 ± 1,52 | 267,43 ± 18,78 |
| Tratamento | Probiótico na água — Dosagem | Probiótico na água — Frequência | Probiótico na ração |
|---|---|---|---|
| Controle | Sem probiótico | — | Sem probiótico |
| TCP1 | 0,5 ppm | Três aplicações por semana | 3 mL kg⁻¹ ração |
| TCP2 | 1 ppm | Sete aplicações por semana | 3 mL kg⁻¹ ração |
| TCP3 | 1 ppm | Sete aplicações por semana | Sem probiótico |
Como a TCP beneficia essa maior atividade enzimática:
a. Estimulação da Produção de Enzimas Digestivas: A TCP introduz microrganismos probióticos que estimulam a produção de enzimas digestivas diretamente no trato intestinal dos camarões. Esses probióticos, ao interagirem com o sistema digestivo dos camarões, aumentam a secreção de enzimas como amilase, lipase e quimotripsina, facilitando a digestão de diferentes componentes da dieta.
b. Melhoria da Microbiota Intestinal: A TCP melhora o equilíbrio microbiano no intestino dos camarões. Com uma microbiota intestinal mais saudável, os camarões apresentam uma melhor absorção de nutrientes e maior eficiência na utilização dos alimentos, resultando em um aumento natural da produção de enzimas digestivas.
c. Ação Degradadora no Ambiente Aquático: Além de atuar no intestino dos camarões, os microrganismos probióticos presentes na TCP podem atuar diretamente no ambiente aquático, auxiliando na decomposição de resíduos orgânicos e na estabilização dos compostos nitrogenados, o que contribui para a redução de matéria orgânica acumulada e menos acúmulo de amônia.
A TCP aumenta a atividade enzimática no trato digestivo dos camarões, favorecendo a digestão eficiente e a melhor absorção de nutrientes, o que resulta em menos excreção de resíduos e menor acúmulo de compostos tóxicos. Ao melhorar tanto a saúde intestinal quanto a qualidade do ambiente aquático, a TCP ajuda a criar um sistema de cultivo mais sustentável e produtivo, alinhado com os objetivos de maximizar o crescimento dos camarões e preservar a qualidade da água.
Referência: FAVETTA, Amanda; DUTRA, Fabricio Martins; FERREIRA, Caio Henrique do Nascimento; CAZAROLLI, Luisa Helena; BALLESTER, Eduardo Luis Cupertino. Use of probiotic consortium technology during the grow-out of Penaeus vannamei juveniles (Boone, 1931) in a biofloc system. Latin American Journal of Aquatic Research. Laboratório de Carcinicultura, Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Desenvolvimento Sustentável. Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Aquicultura Sustentável, Universidade Federal do Paraná, Maripá, PR, Brasil. Laboratório de Bioquímica e Genética, Universidade Federal da Fronteira Sul, Laranjeiras do Sul, PR, Brasil. Autor correspondente: Eduardo Luis Cupertino Ballester.
Desenvolvedor da metodologia do equilíbrio do ambiente produtivo a partir da Tecnologia do Consórcio Probiótico.
